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Brinquedoteca do Hospital de Clínicas ajuda no tratamento de crianças cardiopatas

A pequena Paula Costa, de 6 anos, mostra o desenho que acabou de fazer. “É a minha filha vendo o arco-íris!”, responde a mãe, a vendedora Rosy Costa. A criança ri e volta a desenhar. A menina descobriu ano passado que tem um problema cardíaco e, há 10 dias, está internada na Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV). Enquanto aguarda a cirurgia, ela frequenta a brinquedoteca da instituição, onde desenha e brinca com outras crianças. “Se não fosse por esse espaço, ela estaria abatida e isso dificultaria muito o tratamento”, observa Rosy.

A brinquedoteca do setor de cardiopatia do Hospital de Clínicas permite que os pequenos, sob acompanhamento médico, realizem atividades como brincadeiras, jogos, pintura e desenho. Além do momento de lazer, o espaço possibilita que se observe a saúde dos pequenos pacientes a partir da interação com objetos e outras pessoas. A equipe técnica – composta por 7 enfermeiros, 25 técnicos de enfermagem, 2 assistentes sociais, 2 psicólogos, 1 terapeuta ocupacional, 1 pedagoga e 4 brinquedistas – acompanha o comportamento de 20 crianças internadas nos aspectos cognitivo, emocional, psicomotor, social, entre outros.

“A brinquedoteca não é um consultório médico. Orientamos as atividades para o melhor desenvolvimento da criança, mas não se faz nenhum procedimento técnico. A prioridade é brincar”, explica a terapeuta ocupacional Karla Aita. De acordo com ela, o ambiente possui um apelo afetivo e lúdico, fundamental para o tratamento dos pacientes. “A criança vê a figura do médico, lembra de remédios e exames que não gosta e, obviamente, fica resistente a qualquer intervenção. Por isso é importante que, na brinquedoteca, ela não tenha afetos negativos. É possível, por exemplo, aproveitar a descontração de uma brincadeira para estimular o movimento ou a postura adequada de uma criança debilitada”, ressalta a terapeuta.

Afetividade – Um paciente pode ficar semanas ou meses em internação no setor de cardiologia e, por isso, o contato com outras pessoas da mesma faixa etária é essencial nesse período. “Por mais que tenha brinquedos e adultos dando atenção, nada substitui a interação de uma criança com outra. O diálogo, o comportamento e até os momentos de frustração são diferentes. É um recorte da vida social que é importante não somente durante a internação, mas para o desenvolvimento além do hospital”, explica a pedagoga Karen Soares Xavier.

O convívio na brinquedoteca também ajuda a amenizar os momentos mais difíceis no hospital, como a saudade de casa e o incômodo de alguns exames. Karen observa que, muitas vezes, são as próprias crianças que tentam animar umas às outras. É o caso de Lara Sofia, de 9 anos, internada há um mês no hospital. “Semana passada, ela sentiu falta de uma amiguinha. Descobriu que a menina estava triste no quarto e resolveu se vestir de palhaço para alegrar o ambiente. As duas acabaram rindo muito”, lembra Claudimar França, mãe de Lara. A dona de casa veio de Dom Eliseu para acompanhar a cirurgia de cateterismo da filha.

Claudimar afirma que a filha sempre foi alegre, mas teve momentos de desânimo durante a internação. “Mesmo rindo na maior parte do tempo, é claro que ela sabe que estar aqui significa que existe um problema que precisa de atenção. Mas ela consegue se alegrar quando vai para a brinquedoteca. Se não fosse o espaço, acho que ela teria uma crise e eu também”, observa.

Os adultos também recebem orientação da equipe médica. “Existem pais e mães que ficam com medo do filho passar mal ou se machucar ao brincar com outros pacientes. Há também os casos em que os pais ficam deprimidos e acabam não observando a importância de levar a criança para brincar”, diz Karen. Por isso, a equipe multidisciplinar sempre observa e orienta não somente o comportamento coletivo das pessoas na brinquedoteca, mas também as atitudes individuais.

“O que é importante lembrar é que são crianças que precisam tratar uma cardiopatia, mas ainda são crianças, querem brincar. Na brinquedoteca, elas podem fazer isso com supervisão adequada e elas ficam alegres. E, quem acompanha uma criança, sabe o valor que tem o sorriso dela”, conclui a pedagoga.

Texto: Igor Oliveira (SECOM)

Fotos: Pedro Guerreiro (SECOM)

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