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Projeto “Minha História” humaniza o tratamento de pacientes da UTI, no HC

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um dos espaços mais complexos de um hospital. Destinada a pacientes em situações graves de saúde, o espaço tende a ser um ambiente estressante, frio e, por vezes, impessoal. Mas nem em todos os lugares são assim. Na Unidade de Terapia de Intensiva da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), está sendo empregada uma forma humanizada para minimizar os efeitos negativos da hospitalização. O projeto chamado “Minha História”, busca reforçar aos profissionais de saúde que o paciente é antes de mais nada, uma pessoa.

 

“Entendemos que para humanizar o nosso atendimento aos pacientes, é necessário individualizar a assistência de acordo com as necessidades de cada um, pois o que vemos na maioria dos hospitais, é que quando o paciente é internado, ele deixa de ser uma pessoa e passa a ser conhecido pelo seu prontuário, doença ou número do seu leito. Isso acaba despersonalizando o paciente e passa a não ser mais um indivíduo com história. Pensando nisso, a equipe buscou uma maneira de reverter esse problema e desenvolvemos o projeto “Minha História”.”, destaca a Psicóloga da UTI Adulto, Aline Rodrigues.

 

O “Minha História” visa resgatar a identidade de cada um dos pacientes através de uma coleta de informações sobre a história deles. São informações como o nome que o paciente se sente mais à vontade em ser chamado, data de nascimento, ocupação, quantos filhos, o que gosta de fazer e o que ajudaria esse paciente a se sentir melhor durante a sua internação. Tudo é escrito em uma placa que fica ao lado do leito. Depois de conhecer a integralidade e a especificidade de cada paciente, a equipe médica da UTI estabelece vínculos necessários que possam fornecer um melhor tratamento a esse paciente.

 

“Por meio desse projeto, que costumamos chamar também de “plaquinha”, conseguimos saber mais, conhecer cada paciente. Fazemos uma plaquinha com todas as suas informações e colocamos em cada leito. Assim, não chamamos mais o paciente pelo número do seu leito, chamamos pelo nome que ele quer ser chamado”, diz a psicóloga.

 

Edinaldo Abreu, foi submetido a um procedimento cirúrgico e está se recuperando na UTI Adulto da FHCGV. Ele não é apenas o leito 9, ele gosta de ser chamado pelo apelido: Marajó. Aos 56 anos, o homem que é despachante de carga, gosta de trabalhar e o que mais ajudaria ele a se sentir melhor na sua internação é assistir televisão e ficar perto da família.

 

Ele comenta a existência da plaquinha durante a sua internação. “Essas informações na minha plaquinha são importantes, pois é a partir dela que criamos um vínculo aqui. Eu me sinto realmente mais à vontade e mais acolhido por toda a equipe”, disse Seu Marajó. 

 

Outra informação que consta na plaquinha dele é a paixão pelo clube do Remo. “Eu sou remista e todos eles daqui sabem. Tiramos brincadeiras de time e isso é uma coisa muito divertida, cria uma união”, diz o paciente sorridente.

 

Segundo a Chefe da UTI Adulto, Dra. Luciana Gavinho, esse projeto também tem o objetivo de exercitar a empatia entre a equipe. “Muitos profissionais que atuam nesse tipo de ambiente, querendo ou não, ficam um pouco afastados, pois costumam ver o paciente apenas como paciente e não como alguém que tem uma história. Aqui na UTI, essa plaquinha faz a gente se aproximar dos pacientes garantir, assim, um cuidado centralizado e individualizado, sempre tentando resgatar as suas preferências, para que esse paciente venha a ter uma melhor assistência”, ressalta a médica.

 

Atualmente, a Unidade de Terapia Intensiva Adulto da FHCGV possui 12 leitos, sendo divididos em dois espaços: UTI 1 (6 leitos) e UTI 2 (6 leitos). Para cada espaço há uma equipe de multiprofissionais, formado por: Médicos, Enfermeiros, Fisioterapeutas, Psicólogos, Técnicos de enfermagem, Fonoaudiólogos, Nutricionistas e Terapeutas Ocupacionais. Ao total são 71 profissionais atuando de forma humanizada no tratamento e na recuperação dos pacientes, desenvolvendo ações em que os pacientes e os seus familiares se sintam acolhidos durante uma internação na UTI.

 

“As plaquinhas também servem para valorizarmos a família. As informações contidas nelas são fundamentais para isso. Criar um momento de afeto e amor entre a família e o paciente. Porque na nossa UTI, o paciente não é só o paciente, sabemos que ele é o amor de alguém”, finaliza Aline Rodrigues.  

 

A Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV) ainda tem uma UTI coronariana, com 10 leitos, a UTI pediátrica com 08 leitos e 10 leitos na UTI neonatal. O projeto “Minha História” está sendo expandido gradativamente para essas unidades.

 

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