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Pacientes do HC utilizam tablets para falar com parentes

O aposentado Luis Guilherme Santos, de 61 anos, estava preparado para comemorar mais um Dia das Mães em família (10/05), mas uma dor nas costas interrompeu o domingo festivo. Depois de ser levado às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi diagnosticado com princípio de infarto, “seu” Guilherme, como é conhecido pelos amigos, foi transferido para a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), onde foi submetido a um cateterismo – procedimento  realizado por meio da inserção de cateteres nos vasos sanguíneos das pernas ou dos braços que são guiados até o coração por um equipamento especial de raios-X, para desobstrução de artérias.

O êxito do procedimento, entretanto, veio acompanhado do diagnóstico de suspeita de contaminação pelo novo coronavírus. Isso fez com que a internação do “seu” Guilherme fosse em regime de isolamento, no caso, sem acompanhante, ou visita em horário estipulado. As visitas foram suspensas por medidas restritivas no intuito de garantir a proteção dos profissionais de saúde e pacientes internados no hospital.

O isolamento dos parentes tem sido um agravante no tratamento dos pacientes em tratamento dos efeitos do novo coronavírus. Segundo a psicóloga Teresa Rocha, que atende no HC, as pessoas hospitalizadas apresentam várias formas de sentimentos quando estão nessa situação. “Hospitalizados, são acometidos de um adoecimento que gera muitos tipos de lutos. O primeiro, refere à perda da própria saúde para uma doença com repercussões incertas; o segundo diz respeito à morte de parentes e amigos de forma inesperada; e a terceira refere-se à perda de projetos e da incerteza diante da vida”, explica a psicóloga.

Para minimizar esse quadro de angústia dos pacientes, a direção da FHCGV resolveu disponibilizar uma forma segura de comunicação entre as pessoas isoladas e seus familiares. Para tanto, disponibilizou tablets paras a realização de vídeochamadas. Os aparelhos, 3 no total, são utilizados na UTI adulto e nas enfermarias onde não há possibilidade de visitas por conta do risco de contaminação. Numa das enfermarias, os 36 pacientes internados podem utilizar os aparelhos em dois turnos, pela manhã e à tarde.

A iniciativa foi aprovada com grande satisfação tanto pelos  pacientes quanto por seus familiares. “Com o uso dessa tecnologia foi possível promover as trocas de carinho, as quais são  realizadas com muita intensidade, sem nenhum tipo de pudor afetivo. Confesso que  nunca  ouvi tanto ‘eu te amo’, muitos disseram que não lembravam mais do dia em que falaram que amava os filhos ou esposa”, relembra a psicóloga

Na sua primeiro vídeochamada, “seu” Guilherme pode diminuir a saudade de toda a família, especialmente de sua esposa. “Que bom te ver, minha velha”, foi a saudação do aposentado, que também colocou em dias alguns negócios pendentes com um dos filhos. Ele também abriu mão de ter qualquer tipo de acompanhante, mesmo tendo direito por conta da idade. “Eu prefiro que ninguém venha até o hospital. Não quero que ninguém corra risco por causa do contágio”, foi a resposta à equipe.

Na UTI, onde os pacientes estão em condições físicas mais graves, alguns sem poder falar, a visão, o contato com familiares pela vídeochamada  representa um alento, e um fator mais para contribuir na recuperação. “Foram vários depoimentos marcantes,  os temas mais falados referiam à sensação de abandono, desamparo, insegurança e medo da morte”, declara a psicóloga.

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