Endereço:

Trav. Alferes Costa nº2000 - Bairro: Pedreira / Belém - Pará

HC oferece atendimento psicológico para famílias de crianças cardiopatas

 

A pandemia que atingiu a população mundial provocou morte e muito medo, além de sequelas psicológicas que necessitam de cuidados e atenção. Na Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), a covid-19 afetou sensivelmente mães e famílias das crianças cardiopatas internadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Pediátrica.

 

Segundo a psicóloga da UTI Neonatal e Pediátrica da FHCGV, Tatiana Montalvão, as famílias vêm apresentando um medo extremo da morte, o que provoca uma série de problemas psicológicos. O resultado são sintomas como dor de cabeça, no abdômen, erupções na pele, perda de sono e outras reações sintomáticas.

 

“Se dentro de casa as pessoas já estão com esse sentimento de medo por conta do coronavírus, imagina dentro de um ambiente hospitalar que é um lugar mais propenso à doenças e a pessoa tendo que proteger a si mesma e ao seu filho cardiopata. E além disso ainda não poder receber visita de outras pessoas. As visitas são muito importantes para o desenvolvimento da criança cardiopata, tanto no seu desenvolvimento físico como mental, e as mães também se sentiriam mais acolhidas e amparadas se tivessem a oportunidade de receberem as visitas, que foram suspensas por motivos de prevenção”. explica a psicóloga.

 

Por causa da pandemia, alguns serviços foram temporariamente suspensos: brinquedoteca, classes hospitalares e visitas ampliadas – serviços de grande importância para o desenvolvimento da criança, e também uma forma de harmonizar o seu convívio no ambiente hospitalar. Em razão da suspensão, mães e crianças tiveram que se adaptar a uma nova rotina, o que resultou em uma constatação do aumento do desequilíbrio emocional e psicológico. 

 

“Com a suspensão tivemos que pensar em uma nova maneira de fazer com que essas crianças e mães se sentissem acolhidas. Então, disponibilizamos livros e brinquedos para as crianças, além de todo o nosso acompanhamento com elas e as mães, mas tomando todas medidas de prevenção e cuidado, que precisamos neste momento. Além disso, com as visitas suspensas, podendo ficar uma única pessoa com a criança, tentamos dar um suporte para as mães, para que elas não se sintam solitárias”, acrescenta Tatiana.

 

Para Nanci de Oliveira, mãe do Murilo de Oliveira, de apenas 16 dias de vida, o suporte psicológico foi extremamente importante. Quando soube que o filho era cardiopata, e precisava ser internado com urgência no hospital, ela ficou bastante fragilizada.

 

“Parece que o mundo caiu na minha cabeça e do meu marido, porque além de pensarmos na situação dele, pensamos nele internado nesse momento de pandemia, e em um ambiente hospitalar que é um lugar que concentra infecções. Nos primeiros dias, fiquei muito abalada, porque não podia ficar o dia todo com o meu filho, meu marido também não e isso me deu uma grande aflição. Por mais que eu saiba que essa redução de visita é fundamental para a segurança do meu bebê, isso mexeu com o meu psicológico. A equipe de psicologia me deu o suporte que eu precisava nesse momento difícil”, agradece Nanci.

 

A mãe do bebê acrescenta, ainda, que as psicólogas desenvolveram formas para que ela mantivesse a calma, o que precisava diante da situação. “As psicólogas conversavam comigo todos os dias, me acompanharam e me ajudaram a amadurecer a ideia de que tudo iria passar, além de me mostrar experiências de várias situações. O melhor de tudo é que parece que elas me conhecem há muito tempo, parece que não é apenas uma relação de profissional e paciente, mas sim, uma conversa de ser humano e ser humano, porque elas passam segurança, conforto e cuidado comigo e com o meu filho”, ressalta a mãe do pequeno Murilo.

 

Atualmente, a equipe de psicologia é composta por duas profissionais, sendo uma psicóloga  na UTI Neonatal e outra psicóloga na UTI Pediátrica. O atendimento psicológico continua sendo realizado para as crianças e acompanhantes nas UTIs, seguindo todas as medidas de prevenção. Além do atendimento online e telefônico, para os pais receberem informações sobre o boletim médico dos seus filhos, além de acompanhamento psicológico.

 

Leave a Comment

(0 Comments)

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *