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Criatividade leva mais conforto para pacientes no Hospital de Clínicas

Trabalho artesanal em peças sob medida minimizam possíveis riscos associados à longas internações

Produtos são desenvolvidos por profissionais de saúde do próprio HC Foto: Ascom / HCGV

A criatividade dos profissionais da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC) tem sido um dos diferenciais quando o objetivo é ampliar o bem-estar de pacientes que necessitam de internação nas unidades de terapia intensiva, onde o tempo de permanência é mais prolongado e requer cuidados específicos.

Fisioterapeuta diarista na Unidade de Terapia Intensiva e na Unidade Coronariana do Hospital de Clínicas, Rafael Araújo explica que, dependendo do tempo de internação, há uma tendência de perda da força muscular do paciente. “Se os pés ou os braços ficam posicionados de forma inadequada e se não há uma movimentação dessa pessoa, as lesões por pressão podem acontecer assim como outras, o que aumenta a demanda assistencial para aquele paciente”, alerta o profissional.

Além da perda de força, a pouca mobilidade do paciente pode influenciar ainda no desenvolvimento das chamadas lesões por pressão, feridas que aparecem na região da cabeça, calcanhar, cotovelo, quadris e outras com proeminências onde o contato da pele é contínuo com a cama.

Para evitar que isto aconteça, uma das formas de tratamento é a utilização de órteses ou dispositivos auxiliares de mobilidade – aparelhos de uso provisório que permitem alinhar, corrigir ou regular uma parte do corpo do paciente, promovendo assistência mecânica ou ortopédica, além de auxílio na reabilitação de membros, órgãos ou tecidos e proteção da pele.

No Hospital de Clínicas, quando há indicação para uso de algum tipo de dispositivo como esses, a opção é por uma forma diferenciada de aplicação, buscando proporcionar conforto e segurança aos pacientes. Para isso, os profissionais de terapia ocupacional, fisioterapia e equipes de manutenção passaram a produzir artesanalmente algumas peças, a partir do reaproveitamento de insumos descartáveis e de baixo custo, já que no mercado especializado, alguns tipos de órteses podem custar até R$ 800.

Márcia Nunes, terapeuta ocupacional e integrante da equipe de produção de órteses do hospital, explica os motivos para a escolha de um trabalho personalizado. “Além de um alto preço, dispositivos como esses, quando produzidos de forma industrial, geralmente têm tamanho único e podem não servir integralmente às nossas necessidades e às do paciente. Por isso, sempre que se torna viável, optamos por desenvolver nossas próprias peças”, pontua a especialista.

Adaptação para Covid-19

Produção de órteses do hospital é feita de forma personalizada, adaptada para cada paciente Foto: Ascom / HCGV

Uma das peças criadas pela equipe do Hospital tem sido importante na linha de cuidado contra a covid-19. Os coxins são como almofadas moldadas em formato oval e, quando utilizadas, também protegem a pele do paciente de lesões em regiões frontais, como rosto, busto, quadril e joelhos. Isso porque no tratamento da covid-19, uma das técnicas para estimular a respiração e a expansão dos pulmões durante a internação é o posicionamento do paciente com o peito para baixo.

“Diante da avaliação dos casos e de estudos ao longo desses meses, chegou-se a um consenso sobre a adoção dessa posição por algumas horas durante o dia, visando o bem-estar e a melhora do sistema respiratório. No entanto, como o paciente está sedado, a estabilização do corpo é feita pela equipe e a utilização do coxim e de outros dispositivos aumenta a segurança, auxilia em uma recuperação mais rápida e diminui as chances de uma reinternação para tratar da lesão por pressão”, complementa Rafael Araújo.