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Hospital alerta para riscos no consumo de drogas e álcool

O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado neste sábado (20), é um alerta para os cuidados preventivos e as consequências do uso indiscriminado de álcool, fármacos e drogas psicoativas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dependência no uso desses produtos já é considerada uma doença de proporções globais e seus impactos culturais, sociais, econômicos e políticos precisam ser cada vez mais discutidos.

No Pará, a rede pública de saúde oferece atendimento gratuito às pessoas que sofrem com o alcoolismo e outras drogas, a partir de uma rede especializada de atenção psicossocial que contempla desde a atenção básica em saúde até a alta complexidade, contando atualmente com 84 Centros de Atenção Psicossocial (CAPs).

Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), o consumo desse tipo de substâncias teve um aumento relevante e a pandemia do novo coronavírus acabou sendo uma das principais justificativas. Realizada em 2020, a pesquisa aponta um crescimento de 38% nas vendas de bebidas alcoólicas em distribuidoras e de 27% nos mercados.

Em outra pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os maiores aumentos no consumo de bebidas alcoólicas foram registrados na faixa etária de 30 a 39 anos (24,6%) e de 18 a 29 anos (18,6%). Para cerca de 24% dos entrevistados, o alto consumo de bebidas acabou aumentando os impactos do período de isolamento, entre eles, o sentimento de tristeza e o adoecimento mental.

Wagner Gesser, médico psiquiatra na Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV), aponta que, em períodos de instabilidade, é preciso cautela com o livre acesso a bebidas alcóolicas e uma atenção com a saúde mental. “Quanto maior a oferta, mais facilitado é o consumo. Neste momento em que as pessoas estão mais estressadas e ansiosas, o aumento do consumo se torna inevitável para algumas pessoas. O perigo está na quantidade, que pode intoxicar o usuário a ponto de desencadear um surto psicótico”, explica o profissional.

Acolhimento familiar e tratamento

Quando o uso indiscriminado se torna dependência, a busca por ajuda profissional é um passo importante a ser dado. É nesse momento que a presença da família é fundamental, principalmente na observação de alterações no comportamento social do paciente.

“O apoio familiar é importante em qualquer momento do tratamento de uma dependência química. No dia-a-dia, é ela que vai perceber sinais como mudança de estilo de vida, especialmente em relação ao trabalho, estudo e amizades. É necessário ficar atento às alterações nos padrões de comportamento saudáveis para outros diferentes e prejudiciais”, finaliza o psiquiatra.

Texto: Karoline Caldeira (estagiária de Jornalismo)
Supervisão: Marcelo Leite